O
argônio
foi descoberto em 1894 pelos ingleses William Ramsay e Walter Rayleigh. É o
terceiro elemento da classe dos gases nobres,
incolor e inerte como eles, constituindo cerca de 1%
do ar atmosférico.
É usado em lâmpadas fluorescentes
e em dispositivos ou processos que exigem uma
atmosfera inerte.
Apresenta símbolo
Ar, número atômico 18 (18 prótons e 18
elétrons) e massa atômica 40 u, encontrado no estado
gasoso em temperatura ambiente.
Características do argônio
Apesar de inerte, um composto estável de argônio [argon
fluorohydride (HArF)] foi identificado pela primeira
vez em 2000 por um grupo de pesquisadores
Finlandeses. Adicionalmente, um composto com flúor,
muito instável foi feito em 2003, pelo químico suíço
Helmut Durrenmatt. Tem uma solubilidade em água 2,5 vezes maior que a
do nitrogênio ou a do oxigênio. É um gás monoatômico
inerte, incolor e inodoro tanto no estado líquido
quanto no gasoso.
Cilindros contendo argônio
História
Henry Cavendish, em 1785, expôs uma amostra de
nitrogênio a descargas elétricas repetidas em
presença de oxigênio para formar óxido de nitrogênio
que, após eliminado, restava em torno de 1% de um
gás original que não podia ser dissolvido. Cavendish
afirmava, diante disso, que nem todo o «ar
flogisticado» era nitrogênio. Em 1892
Lord
Rayleigh descobriu que o nitrogênio atmosférico
tinha uma densidade maior que o nitrogênio puro
obtido a partir do nitro. Raleight e Sir
William Ramsay demonstraram em 1894 que a diferença
devia-se à presença de um segundo gás pouco reativo
e mais pesado que o nitrogênio: o argônio. O anúncio
da descoberta foi acolhida com muita desconfiança
pela comunidade científica.
Em 1904 Rayleight recebeu o Prêmio Nobel de Física
pelas suas investigações acerca da densidade dos
gases mais importantes e pela descoberta da
existência do
argônio.
Abundância e obtenção
O gás é obtido por meio da destilação fracionada do
ar líquido, onde é encontrado numa proporção de
aproximadamente 0,94%, eliminando-se posteriormente
o oxigênio residual com hidrogênio. A atmosfera de
Marte contém 1,6% de Ar-40 e 5 ppm de Ar-36. A de
Mercúrio contém 7,0% e a atmosfera de Vênus contém
apenas traços.
Isótopos
Os principais isótopos de argônio
presentes na Terra são Ar-40 (99,6%) e em menores
quantidades, o Ar-36 e Ar-38. O isótopo K-40, com
uma vida média de 1,205×109
anos, decai em 11,2% a Ar-40 estável mediante
captura eletrônica e desintegração β+
(emissão de um pósitron), e os 88,8% restantes a
Ca-40 mediante desintegração β-
(emissão de um elétron). Estas proporções de
desintegração permitem determinar a idade das
rochas. Na atmosfera terrestre, o Ar-39 é gerado por
bombardeamento de raios cósmicos principalmente a
partir do Ar-40. Em locais subterrâneos não expostos
é produzido por captura neutrônica do K-39 e
desintegração α do cálcio.
O Ar-37, com uma vida média de 35 dias, é produto do
decaimento do Ca-40, resultado de explosões
nucleares subterrâneas.
Aplicações
É
empregado como gás de enchimento em lâmpadas
incandescentes, já que não reage com o material do
filamento, mesmo em altos níveis de temperatura e
pressão. Com isso prolonga-se a vida útil
da
lâmpada. Emprega-se também na substituição do néon,
nas lâmpadas fluorescentes, quando se deseja uma
coloração verde azulada ao invés do roxo do néon.
Também é usado como substituto do nitrogênio
molecular (N2) quando este não se
comporta como gás inerte devido às condições de
operação.
No âmbito industrial e
científico, é empregado universalmente na recriação
de atmosferas inertes (não reagentes) para evitar
reações químicas indesejadas em vários tipos de
operações.
Soldagem em arco elétrico e oxicorte.
Fabricação de titânio e outros elementos
químicos reativos.
Fabricação de
monocristais — partes cilíndricas formadas
por uma estrutura cristalina contínua de silício
e germânio para componentes semicondutores.
O argônio-39 é usado, entre outras aplicações, para
a datação de núcleos de gelo e águas subterrâneas.
Em mergulhos profissionais, o argônio é empregado
para inflar trajes - o que impede o contato da pele
com a umidade típica do neopreno — tanto por ser
inerte como por sua pequena condutibilidade térmica,
proporcionando um isolamento térmico necessário para
realizar longas imersões em determinadas
profundidades.
O laser de argônio tem usos médicos em odontologia e
oftalmologia. A primeira intervenção com laser de
argônio foi realizada por Francis L'Esperance, para
tratar uma retinopatia em fevereiro de 1968.
Soldagem de chapa com máquina TIG com argônio como gás
de proteção
Enchimento de Alumínio com máquina TIG com argônio como gás
de proteção